quarta-feira, 27 de maio de 2009

Hoje é dia da nossa Mata Atlântica


Saudações a todos,

hoje, 27 de maio, é o dia nacional da Mata Atlântica! Ela é o nosso 2º maior bioma* embora represente hoje apenas 7% da sua área original no território brasileiro (ver mapa).


Qual é a importância da Mata Atlântica para nós?

Desde as primeiras explorações ainda na época de Cabral, no séc. XVI, a mata atlântica representou a primeira fonte de exploração econômica por parte da coroa portuguesa com a extração do Pau Brasil (a esquerda) por conta da cor avermelhada de sua seiva, que era utilizada na tintura de tecidos e deu nome ao nosso país. Ao longo de uma intensa devastação, seja para ocupação humana, ja que hoje 70% da população ou 130 milhões de brasileiros habitam áreas antigamente ocupadas por ela, ou para exploração econômica , temos que lembrar que além de possuir o maior diversidade de espécies de animais (cerca de 1,6 milhão)e representar sozinha cerca de 15% das espécies de fauna e flora no mundo, precisamos dela para proteger e preservar nossos recursos hídricos para termos água potável em nossas torneiras no futuro com a preservação dos rios que nascem nela e que compõem os nossos mananciais (abaxo a represa Guarapiranga, que abastece a cidade de São Paulo).


Como preservar a nossa mata?

Apesar do crescimento populacional ao longo dos tempos, o que pressiona a expansão das cidades e a ocupação da floresta, podemos ajudar a preservar a mata e a reduzir os danos que causamos com hábitos simples tais como:

- Reduzir a produção de lixo e estimular a reciclagem para evitar que mais recursos naturais e da floresta sejam explorados.

- Evitar de jogar lixo nas vias públicas e repreender quem o faz, já que polui as águas e mata os animais que se contaminam com a poluíção.

- Comprar produtos legalizados e licenciados pelo governo, já além de gerar impostos que movimentam a economia, evita que os produtos da floresta sejam explorados sem controle, como aquele palmito "caseiro" que se vende de porta-em-porta e em pequenos comércios ou alguns tipos de madeira para construção que não possuem certificação ambiental.

- Reduzir o consumo de água e energia, com a população crescendo e ocupando o lugar das matas naturais, os recursos naturais necessários para a nossa vida proporcionalmente diminuem, logo, para que todos usufruam desses recursos no futuro é necessário que se diminua o consumo para que haja recursos para toda a população.

- Investir em educação como prioridade zero, pois somente assim nossas gerações futuras compreenderão que todos nós fazemos parte da natureza, e não como uma parte separada dela, já que somente assim garantiremos um mundo melhor e menos poluído como é hoje.

Obra do trecho sul do Rodoanel, que ocupa uma faixa de mata atlântica devido a expansão urbana da Grande São Paulo (imagem aérea de nov/2008).

Então fica aqui a mensagem:

Preservemos já!

Mico Leão Dourado: Espécie de macaco raro encontrado apenas na Mata Atlântica ao entorno da cidade do Rio de Janeiro e da região da Baixada Fluminense, em risco de extinção devido a devastação e destruíção do seu lar.


*Bioma é um termo científico do ramo da Ecologia e segundo o dicionário Aurélio significa "comunidade importante que se extende sob uma grande área geográfica e caracterizada por uma vegetação dominante".

ps: maiores informações podem ser pesquisadas no site http://www.sosmataatlantica.org.br/

Mister Ale

sábado, 23 de maio de 2009

Filme: O mundo global visto do lado de cá


Dirigido pelo documentarista carioca Silvio Tendler, apresenta uma perspectiva sobre o nosso mundo atual. Se interessou??? Leia o texto no post anterior...



ps: Esse filme será passado oara a turma do 3ºE assim que este professor retornar de sua licença médica!

Texto - A atual crise num olhar do passado


Caros acompanhantes do blog,

segue abaixo um texto do geógrafo e prof. Milton Santos (1926 - 2001) escrito para o jornal Folha de São Paulo há quase 10 anos atrás sobre a crise mundial de... hoje!

ps: Para quem desejar conhecer um pouco mais sobre o mestre, assista amanhã, domingo (24), um especial sobre ele que passará na tv no programa "Globo Ciência" a ser exibido de forma inédita no canal Futura (na Net é o canal 32), as 14 horas. Reprises às terças (04:45 e 22:30), sextas (16:00) e sábados (21:30); a TV globo exibe o programa aos sábados (06:30).


(26/9/1999)

A normalidade da crise: MILTON SANTOS

A história do capitalismo pode ser dividida em períodos, pedaços de tempo marcados por uma certa coerência entre as suas variáveis significativas, que evoluem diferentemente, mas dentro de um sistema. Um período sucede a outro, mas não podemos esquecer que os períodos são, também, antecedidos e sucedidos por crises, isto é, momentos em que a ordem estabelecida entre as variáveis, mediante uma organização, é comprometida. Torna-se impossível harmonizá-las quando uma dessas variáveis ganha expressão maior e introduz um princípio de desordem.Essa foi a evolução comum a toda a história do capitalismo, até recentemente. O período atual escapa a essa característica porque ele é, ao mesmo tempo, um período e uma crise, isto é, a presente fração do tempo histórico constitui uma verdadeira superposição entre período e crise, revelando características de ambas essas situações.Como período e como crise, a época atual mostra-se, aliás, como coisa nova. Como período, as suas variáveis características instalam-se em toda a parte e tudo influenciam, direta ou indiretamente. Daí a denominação de globalização. Como crise, as mesmas variáveis construtoras do sistema estão continuamente chocando-se e exigindo novas definições e novos arranjos. Trata-se, porém, de uma crise persistente dentro de um período com características duradouras, mesmo se novos contornos aparecem.Este período e esta crise são diferentes daqueles do passado, porque os dados motores e os respectivos suportes, que constituem fatores de mudança, não se instalam gradativamente como antes, nem tampouco são o privilégio de alguns continentes e países, como outrora. Tais fatores dão-se concomitantemente e se realizam com muita força em toda parte.Defrontamo-nos, agora, com uma subdivisão extrema do tempo empírico, cuja documentação tornou-se possível por meio das técnicas contemporâneas. O computador é o instrumento de medida e, ao mesmo tempo, o controlador do uso do tempo. Essa multiplicação do tempo é, na verdade, potencial, porque, de fato, cada ator - pessoa, empresa, instituição, lugar- utiliza diferentemente tais possibilidades e realiza diferentemente a velocidade do mundo. Por outro lado, e graças sobretudo aos progressos das técnicas da informática, os fatores hegemônicos de mudança contagiam os demais, ainda que a presteza e o alcance desse contágio sejam diferentes segundo as empresas, os grupos sociais, as pessoas, os lugares. Por meio do dinheiro, o contágio das lógicas redutoras, típicas do processo de globalização, leva a toda parte um nexo contábil que avassala tudo. Os fatores de mudança acima enumerados são, pela mão dos atores hegemônicos, incontroláveis, cegos, egoisticamente contraditórios.O processo da crise é permanente, o que temos são crises sucessivas. Na verdade, trata-se de uma crise global, cuja evidência tanto se faz por meio de fenômenos globais como de manifestações particulares, neste ou naquele país, neste ou naquele momento, mas para produzir o novo estágio de crise. Nada é duradouro.Então, neste período histórico, a crise é estrutural. Por isso, quando se buscam soluções, o resultado é a geração de mais crise. O que é considerado como solução parte do exclusivo interesse dos atores hegemônicos, tendendo a participar de sua própria natureza e de suas próprias características.Tirania do dinheiro e tirania da informação são os pilares da produção da história atual do capitalismo globalizado. Sem o controle dos espíritos seria impossível a regulação pelas finanças. Daí o papel avassalador do sistema financeiro e a permissividade do comportamento dos atores hegemônicos, que agem sem contrapartida, levando ao aprofundamento da situação, isto é, da crise.A associação entre a tirania do dinheiro e a tirania da informação conduz, desse modo, à aceleração dos processos hegemônicos, legitimados pelo "pensamento único", enquanto os demais processos acabam por ser deglutidos ou se adaptam passiva ou ativamente, tornando-se hegemonizados. Em outras palavras, os processos não hegemônicos tendem ou a desaparecer fisicamente, ou a permanecer, mas de forma subordinada, exceto em algumas áreas da vida social e em certas frações do território onde podem manter-se relativamente autônomos, isto é, capazes de uma reprodução própria. Mas tal situação é sempre precária, seja porque os resultados localmente obtidos são menores, seja porque os respectivos agentes são permanentemente ameaçados pela concorrência das atividades mais poderosas.No período histórico atual, o estrutural (dito dinâmico) é, também, crítico. Isso se deve, entre outras razões, ao fato de que a era presente se caracteriza pelo uso extremado de técnicas e de normas. O uso extremado das técnicas e a proeminência do pensamento técnico conduzem à necessidade obsessiva de normas. Essa pletora normativa é indispensável à eficácia da ação. Como, porém, as atividades hegemônicas tendem a uma centralização, consecutiva à concentração da economia, aumenta a flexibilidade dos comportamentos, acarretando um mal-estar no corpo social.A isso se acrescente o fato de que, graças ao casamento entre as técnicas normativas e a normalização técnica e política da ação correspondente, a própria política acaba por instalar-se em todos os interstícios do corpo social, seja como necessidade para o exercício das ações dominantes, seja como reação a essas mesmas ações. Mas não é propriamente de política que se trata, mas de simples acúmulo de normatizações particularistas, conduzidas por atores privados que ignoram o interesse social ou que o tratam de modo residual. É outra a razão por que a situação normal é de crise, ainda que os famosos equilíbrios macroeconômicos se instalem.O mesmo sistema ideológico que justifica o processo de globalização, ajudando a considerá-lo como o único caminho histórico, acaba, também, por impor uma certa visão da crise e a aceitação dos remédios sugeridos. Em virtude disso, todos os países, lugares e pessoas passam a se comportar, isto é, a organizar sua ação, como se tal "crise" fosse a mesma para todos e como se a receita para afastá-la devesse ser geralmente a mesma. Mas a única crise que se deseja afastar é a crise financeira, não qualquer outra. Aí está, na verdade, uma causa para maior aprofundamento da crise real -econômica, social, política, moral- que caracteriza o nosso tempo.

Alguma dúvida que este texto foi uma previsão dos fatos que acontecem hoje?

Abraços do Mister

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Frase da semana!



Imagem: Abismo de Tiamat, como representação da mitologia da civilização Babilônica do séc. IX a. C. - Autoria desconhecida


"O grande problema de olharmos sem cautela para o abismo é que pode ser que o abismo esteja justamente olhando para nós". Maurício Waldman, geógrafo e antropólogo (1955-)

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Mandela Day!


Caros leitores,

ontem, 14 de maio, em meio a celebridades de Hollywood tais como Sharon Stone, Forrest Whitaker,Clint Eastwood, dentre outros, foi lançado os preparativos para o Mandela Day (Dia de Mandela) em Los Angeles, nos EUA. Isso significa uma homenagem ao líder político e combatente do Apartheid na África do Sul, Nelson Mandela (foto). Para quem não sabe, Apartheid foi uma política de estado adotada no século XX, aonde a segregação racial era oficial, bem como os direitos civis eram diferenciados entre a minoria branca e a maioria negra naquele país e só foi abolida em 1990, depois que Mandela foi solto após passar 27 anos na prisão como preso político deste regime. Após a abolição do Apartheid, Mandela recebeu em 1993 o premio Nobel da paz e, em 1994 foi eleito democraticamente como presidente da África do Sul. Apesar dos seus 90 anos completados em 18 de julho passado, ainda é um líder respeitado no mundo inteiro e uma referência no combate aos direitos humanos. Abaixo, um clipe de música do grupo de rock escocês Simple Minds feito quando Mandela ainda se encontrava preso chamado de "Mandela Day".



Saiba mais sobre o Mandela Day pelo site: http://mandeladay.com/ (em inglês)

Abraços do Mister