Você viu as reportagens do post anterior? (Se ainda não o assistiu, veja-o aqui)
Agora convido-o a assistir essa reportagem, feita em julho de 2009 e passada no programa "Profissão Reporter" da TV Globo. Mostra o fundo do poço para o ser humano, a dependência química de uma droga como o Crack e as suas consequências. Vale a pena a experiência, porém recomendável apenas para maiores de 14 anos, pois contém cenas de violência real.
Parte 1
Parte 2
A que conclusão chegamos afinal?
A educação ainda vale a pena? Na minha opinião, não somente vale, como é a melhor saída para tamanho caos social que aflige a nossa sociedade atual, cujos valores éticos e morais foram substituídos pelos valores de consumo!
Eloá Pimentel, após a tragédia, exemplo de vida. (Foto de José Cordeiro/Ag. O Globo)
Reprodução:
Saiu hoje de manhã essa reportagem à respeito da doação de órgãos. E quem me conhece sabe que além de icentivador, também fui receptor de duas córneas que foram transplantadas em mim a partir da difícil decisão das famílias dos respectivos doadores, mas que hoje me permitem escrever este texto e reproduzir essa notícia abaixo:
Um ano depois, receptores de órgãos de Eloá dizem que 'começaram a viver'
Preconceito das famílias na hora de doar cai a patamar recorde em SP. Doações feitas por mãe de Eloá incentivaram população.
Thiago Reis, do G1 em São Paulo
Há um ano, após perder de modo trágico a filha Eloá, de apenas 15 anos, Ana Cristina Pimentel teve poucos minutos para tomar uma decisão até então inimaginável em sua vida: doar ou não os órgãos da garota. Eloá Pimentel havia acabado de ser mantida refém e depois assassinada pelo ex-namorado no ABC em um caso acompanhado por quase todo o Brasil. Apesar do abalo, Ana Cristina diz não ter hesitado. “Não tive dúvida. Quando os médicos vieram falar comigo, eu já estava decidida.” Assim como ela, outros parentes têm mostrado, a cada ano que passa, menos preconceito com relação à doação de órgãos. Dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) comprovam a mudança de mentalidade da população.
No primeiro semestre deste ano, apenas uma em cada sete das doações não efetivadas no estado de São Paulo teve como razão a recusa de um parente (índice de 14,4%). É a menor taxa dos últimos dez anos. E é em razão desse novo cenário que os receptores de órgãos da garota Eloá podem hoje comemorar um ano de vitórias após os transplantes.
Lívia Amodio Novais (foto), de 29 anos, ganhou a córnea de Eloá. Ela diz que teve problemas após a cirurgia, mas que agora já sente a melhora. Formada em direito, ela trabalha em um hospital porque ainda não conseguiu fazer o exame da OAB.
“Estou voltando a enxergar agora. Não conseguia ler e, por isso, não dava para estudar para a prova”, conta ela, que planeja se preparar e prestar um concurso público.
Lívia afirma que, mesmo antes de precisar de uma doação, já fazia campanha em casa e na rua. “Eu sempre fui a favor de doar e já convenci pessoas do mesmo, porque a gente nunca sabe o dia de amanhã. Tem que existir essa consciência.”
O mecânico Emerson Gentil Dardes, de 26 anos, esperou três anos por um transplante. O pâncreas e o rim de Eloá acabaram salvando sua vida. "Eu tinha de fazer três sessões de hemodiálise por semana, com horário marcado. Não podia beber muito líquido. Era muito ruim."
Quase um ano depois da cirurgia, ele diz que pode fazer "de tudo". "Dá para sair sem se preocupar com remédios. Marcar uma viagem e não precisar chegar na segunda às 11h para ir ao hospital. Hoje estou 100%."
Já Maria Augusta dos Anjos, de 39 anos, recebeu o coração da garota. E diz que agora pode realizar os sonhos. Ela já faz caminhada no Parque Trianon e exercícios físicos todos os dias. E espera poder andar de bicicleta em breve, o que nunca fez.
“Antes eu não conseguia fazer praticamente nada. Via meus 12 irmãos para lá e para cá e só eu tinha que ficar quietinha. Tentava esconder que era uma pessoa triste. Agora digo que sou muito feliz.”
Antes de receber o órgão, ela teve de se mudar do Pará para São Paulo. Foram dois anos e meio de espera até o chamado. “Como todo mundo nessa situação, ficava apreensiva, achando que podia surgir uma oportunidade a qualquer hora.”
Agora, conta, sente-se mais independente. “Antes eu não saía nunca sozinha porque desmaiava na rua. Estou aprendendo a me virar. Sinto que finalmente comecei a viver."
Para Ana Cristina Pimentel, mãe de Eloá, que mantém contato com Maria Augusta e até com o pai dela, que constantemente liga de longe, a felicidade daquela família a faz ter certeza do ato praticado. “É reconfortante.”
Para o médico Luiz Augusto Pereira, coordenador da Central de Transplantes de São Paulo, a repercussão de casos como o da garota Eloá e o treinamento de profissionais de saúde para entrevistar os familiares são os maiores responsáveis pelo ótimo indicador de baixa negativa familiar.
“O principal problema ainda é o diagnóstico de morte encefálica. Para os familiares, é de difícil compreensão que uma pessoa que ainda está com o coração batendo esteja morta. Para conversar com os parentes, a pessoa tem que estar muito preparada”, diz.
Segundo ele, em razão disso nos últimos anos foram feitos vários cursos em São Paulo, com simulações de entrevistas com parentes. “A gente ficava repassando o vídeo, apontava os erros e corrigia."
A melhora do índice é evidente: em 1999, mais de uma em cada em três doações (ou 37,9%) deixava de ser feita por causa da recusa das famílias, segundo estatística também referente ao primeiro semestre.
Para o cirurgião Ben-Hur Ferraz Neto, vice-presidente da ABTO, não houve uma mudança cultural, mas, sim, um maior esclarecimento à população. “O medo diminuiu na medida em que o programa de transplantes se mostrou eficaz e transparente”, afirma. Segundo o médico, que também é coordenador do programa de transplantes do hospital Albert Einstein, as pessoas sabem que os órgãos vão para “uma lista única, mediante critérios estabelecidos, sem qualquer influência política ou econômica”. Tanto Pereira quanto Ferraz Neto reforçam a importância de as pessoas conversarem em casa a respeito do tema, já que pesquisas mostram que a quase totalidade aceita doar um órgão, mas boa parte não revela essa intenção à família. Quando o desejo é manifesto, afirmam, a chance de a doação se concretizar é quase total. Neste domingo (27), é comemorado o Dia Nacional da Doação de Órgãos. Não há, no entanto, só motivos para celebrar. Apesar de São Paulo ter avançado no quesito “preconceito familiar”, parte do país não mostra a mesma evolução. No Piauí, por exemplo, a situação é crítica: quase metade das doações não é feita por causa do veto das famílias. Além disso, o número de pessoas que hoje aguardam um órgão no país é alarmente: são 60 mil.
Presidente Lula participou da cerimônia nesta quinta-feira em Curitiba. Ricardo Fonseca atuou por 18 anos no Ministério Público.
O juiz Ricado Tadeu Marques da Fonseca (foto), 50 anos, assumiu, nesta quinta-feira (17/09), o cargo de desembargador do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 9ª Região. O evento foi realizado às 19h e faz parte das comemorações dos 33 anos do tribunal, no Centro de Curitiba. Ele é o primeiro juiz cego do Brasil.
Ele foi escolhido por meio de uma lista apresentada pelo TRT, depois de já ter sido barrado no exame médico para uma vaga no TRT de São Paulo, em 1989. Segundo informações da Agência Brasil, ele é casado e pai de duas filhas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da cerimônia de posse. “É um momento auspicioso para a democracia brasileira, para o Judiciário, no qual a diversidade é respeitada. É a realização de um sonho de 20 anos”, disse o novo desembargador.
Fonseca disse que está se preparando para desempenhar as novas funções. “Estou montando minha equipe de assessores. Estou sendo muito bem recebido." As páginas de cada processo serão analisadas com o auxílio de assessores, que farão a leitura para que ele possa ouvir e julgar. “Não aprendi braile por ter perdido a visão já na fase adulta.”
“Por causa do nascimento prematuro [seis meses], em São Paulo, tive sequelas, como a baixa visão e paralisia cerebral nos membros inferiores. Apesar de tudo, consegui viver uma infância normal, estudei e brinquei muito nas ruas”, disse Fonseca. Para se preparar para o vestibular, estudou ouvindo as perguntas gravadas e escrevendo as respostas. Ingressou no curso de direito do Largo São Francisco e quando estava no terceiro ano do curso perdeu o pouco da visão que tinha. Ele fez mestrado e doutorado. Em 1991, fez concurso para o Ministério Publico (MP), em São Paulo, e obteve o sexto lugar entre 4,5 mil candidatos. Ele exerceu o cargo de procurador durante 18 anos.
Comentário: Para quem tem ou teve uma deficiênia física, é fato que a sua limitação jamais o impedirá intelectualmente de exercer função ou cargo de responsabilidade complexa como a de juiz, médico, professor, engenheiro, etc. Salvo as que exigem a apitidão físico-motora para tal, é claro. Porém, o motivo que me trouxe a reproduzir essa notícia é a de que nós costumamos reclamar da vida na maioria das vezes por tão pouco, por pura vaidade ou mesquinhez, não é verdade? Assim, aredito que ao mostrar exemplos como esse, nasça em nossa sociedade uma esperança para que ela se torne mais inclusiva e menos discriminatória, pois para quem é ou está deficiente basta muito pouco para ter plena consciência do direito à cidadania e, prinipalmente, saber desfrutar o real sentido da vida!
Veja algo a mais nesse post que fiz há algum tempo atrás clicando aqui e saiba o porquê disso.
Por isso eu digo e repito a quem quiser ouvir:
"Viva a sua vida com prazer e intensidade todos os dias, como se ela fosse infinita!"
Era uma fresca e agradável manhã de primavera, a temperatura não psssou de 42°C à sombra. Vovó Sara, 71 anos de idade, foi fazer uma caminhada na beira do mar com o seu neto, Estéano, 10 anos. Eles iniciaram uma conversa muito animada:
Estéfano: Vovó, é verdade que o papai me disseste essa manhã, que embaixo deste mar à nossa frente reside uma cidade inteira que se chamava Copenhague?
Sara: Sim, querido Estéfano: Era uma cidade grande, bonita e charmosa, cheia de palácios, torres, teatros, universidades. Costumavamos viver ali, com nossos amigos e família, antes da Catástrofe.
Estéfano: O que houve?
Sara: Não aprendeste sobre isso na escola? Os gases de efeito estufa resultamtes da queima de combustíveis fósseis -carvão e petróleo- produziram um aumento na tempetatura, assim bilhões de toneladas de gelo vindas do pólo Norte e da Groelândia se derreteram. Começou bem devagar, porém há alguns anos atrás enormes blocos de gelo subitamente escorregaram para o mar, e o nível dos oceanos subiu vários metros.
Estéfano: Sei... Isso aconteceu apenas aqui, na Dinamarca?
Sara: Ah não, meu filho. Isso aconteceu em todo o mundo. Várias outras belas cidades como Veneza, Amsterdã, Londres, Nova Iorque, Rio de Janeiro, Dacca, Hong-Kong estão agora sob o mar.
Estéfano: Será que nunca verei Copenhague e essas outras belas cidades?
Sara: Creio que não, Estéfano. Alguens climatologistas dizem que em alguns milhares de anos o clima mudará novamente, o mar deve retroceder, revelando as ruínas de nossas esplêndidas cidades. Mas não estaremos lá pra ver isso.
Estéfano: Mas vovó, ninguém previu essa Catástrofe?
Sara: Muita gente previu sim! Alguns cientístas, como James Hansen, climatologista da NASA, há 40 anos atrás havia previsto que isso aconteceria com bastante precisão se continuassemos nesse rítimo de produção econômica. Outros cientístas também previram o que aconteceu no sul da Europa: ao invés de campos verdejantes no sul da Itália, França e Espanha, temos agora o que chamamos de Deserto do Saara do Sul da Europa.
Estéfano: Diga-me vovó, a Catástrofe era inevitável?
Sara: Na verdade não, filho. Algumas décadas atrás era ainda possível evitá-la se mudanças radicais tivessem sido feitas.
Estéfano: Por que os governantes durante esses anos todos não tomaram alguma iniciativa?
Sara: A maioria deles serviam os interesses de uma elite dominante, que se recusaram a considerar qualquer mudança que ameaçasse o sistema econômico vigente -a economia capitalista de mercado- os seus privilégios e seu estilo de vida. Eram uma espécie de "oligarquia fóssil" na qual perseguiu-se obstinamente o petróleo e o carvão, e que considerava qualquer proposta de substituíção rápida delas por energias renováveis (como a energia solar) como "não-realista", ou como uma ameaça a "competitividade" de suas empresas. O mesmo aplica-se à indústria automobilística, ao transporte de mercadorias por caminhões, etc.
Estéfano: Como poderiam ser tão cegos?
Sara: Olha, em 2009, enquanto ainda existia a cidade de Copenhague, governates do mundo todo se reuniram aqui pela Conferência Mundial para as Mudanças Climáticas. Fizeam belos discursos, mas chegaram a nenhuma conclusão significativa sobre o que se fazer nos próximos anos; alguns países ricos industrializados anunciaram que eles reduziriam pela metade às emissões de gases de efeito estufa... até 2050. E não acharam nada melhor do que isso, entretanto, se estabeleceu um "sistema legal de comércio de emissões" aonde os grandes poluídores obtiveram o direito de continuar a poluir.
Estéfano: E ninguém protestou?
Sara: Claro que houve protesto! Massas de pessoas zangadas vieram de toda a Europa, e também de países distantes para Copenhague manifestar o seu protesto, e pediam por medidas radicais e imediatas, como a redução das emissões em 40% para 2020 (deveriamos ter pedido 80%). Dentre as pessoas que apoiavam essas medidas, haviam algumas -Eu era uma delas- que se intitulavam ecosocialistas.
Estéfano: O que você propôs?
Sara: Discutimos que uma mudança social radical era necessária, passando os meios de produção das mãos da oligarquia capitalista e dá-los ao povo; chamamos isso de novo modelo de civilização, um novo padrão de produção -usando a energia solar- e de consumo, suprimindo a propaganda e todo lixo inútil por ela promovida. Ao invés de um ilimitado "crescimento", baseado no lucro ilimitado e na acumulação de capital, propusemos um planejamento de produção democrático, de acordo com as reais necessidades sociais, bem como a proteção do meio ambiente.
Estéfano: Isto me parece bem razoável! Mas qual foi a resposta das autoridades?
Sara: Bem, nós e todos os jovens protestantes foram recebidos pela polícia com cacetetes e gás lacrimogeneo.
Estéfano: Você foi atingida vovó?
Sara: Ah sim! Fui atingida por um cacetete de borracha e minha orelha esquerda quase foi quase decepada. Olha, eu ainda tenho uma marca disso aqui, debaixo dos meus cabelos...
Créditos: Tradução livre do inglês com grifos de minha autoria encontrado em http://www.ecosocialistnetwork.org/, todos os direitos reservados.
ps: Os links no texto redirecionam as informações para sites com aprofundamento das mesmas.
Depois de ter visto essa semana algumas cenas de barbárie numa ação de despejo promovida pelo estado num processo de reintegração de posse de propriedade privada (como nos videos relacionados abaixo), chego a conclusão que se quisermos ser uma "sociedade" de fato, devemos primeiramente nos sentir envergonhados em assistir em pleno século XXI, seres humanos que dividem o mesmo espaço urbano que nós serem brutalmente humilhados com a perda do que eles podiam chamar de "lar" com as suas crianças dormindo ao relento na sujeira debaixo de chuva, e ainda sujeitos a aproveitadores de todo o tipo, inclusive como protagonistas de espetáculo para a tv.
É absolutamente inaceitável tamanha indiferença em relação a quem vive sem um lar. Afinal, é condição de dignidade de qualquer um que é capaz de ler esse texto saber que existe o conforto do seu lar, porém como o planeta Terra é o único lar para todos nós, ainda temos pessoas que sentem-se abandonadas à sua propria sorte, por simplesmente não ter os recursos materiais necessários para ter um lar digno em nossa sociedade tecnológica e seus tantos iPods, smartphones, palácios, carrões, iates, etc.
A natureza, como sempre, nos traz as respostas às agressões que promovemos a ela e, consequentemente, a nós mesmos pelos descaminhos que nossos governantes tomam, ao promover um desenvolvimento econômico e social baseado apenas no incentivo ao consumo em massa, no esgotamento dos recursos naturais e na produção de lixo sem precedentes na história da humanidade.
Para quem estiver aqui daqui há 50 anos, desejo apenas boa sorte!
Terreno no Capão Redondo pertence à Viação Campo Limpo e foi desocupado pela PM; empresa também deve R$ 30 mi ao INSS
Diego Zanchetta
A Viação Campo Limpo deve à Prefeitura de São Paulo R$ 317 mil de IPTU referente ao terreno de 33 mil m² onde houve, na semana passada, uma reintegração de posse, no Capão Redondo, zona sul de São Paulo. A empresa ganhou na Justiça o direito de reaver a área, de onde foram retiradas pela Polícia Militar cerca de 2 mil pessoas de 800 barracos. Mas o espaço pode ser penhorado tanto pelo governo municipal como pela Previdência - a viação também deve R$ 30 milhões ao INSS.No ranking dos 2.340 grandes devedores do IPTU, a Viação Campo Limpo ocupa a última posição. O pagamento do tributo sobre o terreno de valor venal estimado em R$ 1,2 milhão não é pago desde 1995. Há quatro meses a Procuradoria-Geral do Município começou a entrar com ações judiciais solicitando a penhora dos bens de devedores do IPTU. A Secretaria Municipal de Finanças informou ontem que os débitos da empresa de ônibus referentes a 2001 e 2007 também estão em "fase de penhora".A invasão ocorrida há cerca de nove meses teve como foco diretriz da Frente de Luta por Moradia que defende justamente a ocupação de terrenos ociosos de devedores da Previdência e de tributos municipais. O espaço segue desocupado. A Defensoria Pública do Estado defende que o governo municipal desaproprie a área e desconte a dívida de parte do valor do terreno. "O débito é um bom motivo para a Prefeitura tentar desapropriar o imóvel e construir moradias no local", disse Carlos Loureiro, coordenador do Núcleo de Habitação da Defensoria.Douglas Góes, advogado da empresa, afirmou que não faria comentários sobre a dívida. "Vocês da imprensa querem distorcer o fato. Existe decisão judicial que impediu a invasão de um terreno particular, esse é o centro principal da questão", disse. A empresa negocia com o governo o parcelamento de parte do débito por meio do Programa de Parcelamento Integrado (PPI). A dívida da Previdência, referente ao não recolhimento do FGTS de ex-funcionários, é contestada na Justiça.Procurado para comentar a dívida da viação, o SPUrbanuss (sindicato patronal das viações) informou que a empresa não é credenciada. Em março de 2006, a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) descredenciou a empresa, que operava oito linhas intermunicipais, já que em 2005 havia sido multada mais de 900 vezes por falhas nos serviço. O vereador Antonio Donato (PT) vai convocar representantes da viação para depor na CPI do IPTU da Câmara.
Quando esse espaço foi criado, uma das primeiras idéias que tive foi a de deixar um depoimento sobre a minha experiência pessoal a respeito dos transplantes de órgãos, e como no último dia 13 foi a data de aniversário de um ano do último transplante de córnea que sofri, então deixo aqui alguns esclarecimentos sobre o motivo que levou-me à mesa de cirurgia e o que isso significou para a minha vida por meio dessas perguntas e respostas colocadas abaixo com o objetivo de servir-lhes como um serviço de utilidade pública:
1) O que são transplantes de órgãos?
- É um processo cirurgico na qual uma pessoa receptora recebe de uma outra pessoa doadora um ou mais órgãos com a finalidade de recuperação de alguma função vital severamente comprometida do seu organismo.
2) Como é um transplante?
- Transplante de órgão é um procedimento cirurgico de alta complexidade, na qual basicamente se envolvem três fatores: 1) A constatação que não há mais alternativas de tratamento do paciente por meios convencionais; 2) A viabilidade da cirurgia de transplante obtida por exames clínicos que constatem a saúde do paciente para o pré-operatório; 3) A compatibilidade do órgão a ser transplantado e a chances de rejeição do mesmo.
3) Quando se deve transplantar um orgão?
- Quando a pessoa possui uma doença que comprometa severamente o funcionamento de alguma função vital causada pelo mal funcionamento de um órgão, é recomendável o transplante como uma última alternativa para salvar a vida desta pessoa ou pelo menos, devolver a ela a função vital perdida pela falência ou mal funcionamento do órgão a ser transplantado.
4) Quem deve se submeter a um transplante?
- O paciente que estiver com uma ou mais funções vitais seriamente comprometidas e que cause uma severa limitação na sua qualidade de vida ou mesmo em caso de iminência de morte pode ser indicado a sofrer esse tipo de procedomento cirúrgico.
5) Quais são os tipos de cirurgias de transplantes realizadas no Brasil?
- Há 2 tipos de cirurgias de transplantes: O transplante de órgãos em sí (ossos, córnea, pulmões, rins, coração, fígado, pâncreas e de tubo digestivo) e o transplante de tecidos ou partes de órgãos (medula óssea, pele, céluas-tronco, etc.). O mais comum é o transplante de córnea, que segundo dados do ministério da saúde foram realizados em 2008, 6107 cirurgias desse tipo em nosso país.
6) Quem pode doar órgãos?
- Pela lei um doador tem de expressar sua vontade ou não de doar seus órgãos quando atinge a maioridade legal, ou seja, a princípio toda pessoa maior de 18 anos se torna potêncial doadora de órgãos, exceto se expressa o contrário, que pode ser registrado ao tirar uma segunda via de RG, por exemplo. Órgãos como rim e a medula óssea podem ser doados em vida, o que chamamos de transplante intervivos, os demais órgãos somente podem ser doados com a morte do doador, o que necessita nesse caso de autorização da família.
7) O que me fez ser um receptor de órgãos?
- Tenho uma doença chamada Ceratocone, que foi diagnosticada quando tinha 22 anos (hoje tenho 27); é uma mal formação de origem congênita das córneas que causa astigmatismo irregular. Em resumo, num estágio avançado deixa a visão como se fosse um vidro trincado e com manchas, e faz com que a imagem vista fique distorcida, o que na prática representa baixa visão. Antes de fazer os transplantes (o primeiro foi em novembro de 2004) possuia menos de 5% da visão normal de uma pessoa, e cheguei a ter somados os olhos, menos de 30% de visão no melhor olho, o que me classificaria como "deficiente físico" perante a legislação. Porém graças as intervenções cirurgicas hoje tenho uma visão normal em ambos os olhos e tão somente utilizo lentes de contato simples para corrigir o astigmatismo residual do pós-cirurgico.
8) Como foi ser um receptor?
- É certamente uma das experiências pessoais mais marcantes na vida de um ser humano, pois penso sempre que para que tal ato tivesse êxito fora necessário que duas famílias num momento de perda de um ente querido tomassem difíceis decisões para autorizar a doação, porém essas foram as decisões que também mudaram a minha vida por tabela. Além do mais tenho orgãos que pertenceram a duas pessoas diferentes e não sofri até hoje o complexo do Frankestein, que sentia-se sem identidade e matava no final o seu criador. Eu apenas vivo e passo uma mensagem de vida para quem me cerca, e depois desse tipo de experiência, a vida sempre lhe tem mais valor, pois agora eu posso enxergá-la em seus detalhes.
9) Quais são os cuidados do pós operatório?
- Muitos, mesmo no meu caso de não utilizar um órgão vascularizado, o risco de rejeição do órgão é permanente, bem como o de obter uma infecção como a que causou esse atual afastamento do trabalho: uma úlcera causada por mais uma infecção oportunista, o que me faz pingar colírio a cada hora, mesmo a noite, há 10 dias. Enfim, muitas vezes precisamos de ajuda, e mesmo que a sensação de independência seja uma conquista, tão importante é ter com quem compartilha-la. Seja com a família, amigos, médicos, religião ou até mesmo num divã de psicólogo o importante é que cada passo daqui em diante seja mais um dia de vida para quem recebe um novo órgão.
10) Qual é a mensagem que deixo a você?
- Se leu até aqui e compreendeste a mensagem, torne-se daqui em diante um agente multiplicador, principalmente ao informar as pessoas sobre a importância da doação de órgãos. Caso ainda assim tenha dúvidas a respeito, assista aos vídeos abaixo, que representam diversas e verdadeiras lições de vida.
Videos 1 e 2: Profissão Reporter - Tv Globo - Data: 21/10/2008