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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Uma gota de sangue: A questão racial no Brasil e no mundo


Caros acompanhantes deste espaço,

ps: todos as palavras grifadas em azul redirecionam para links de interesse.

hoje estou a escrever inspirado pelo grande geógrafo, professor e ilustríssimo autor do livro "Uma gota de Sangue: História do pensamento racial" Demetrio Magnoli, cuja entrevista no Programa do Jô acabara de assistir nesta madrugada de terça para quarta.

Um dos pilares de sua obra tem por base a teoria do racismo científico, desenvolvido em meados do século XIX por pensadores europeus num contexto geopolítico onde as grandes potências do mundo ampliavam as suas esferas de poder com a colonização de vastos espaços na África e na Ásia, como forma de subjulgamento dos povos colonizados, tidos como inaptos ou incapazes de compreender o modo civilizatório do colonizador, o que justificou a invasão, o genocídio e assassinato de populações inteiras nesses lugares até então.

Como tudo isso começou?

Lembremos que para que hoje tenhamos computadores, celulares, carros e gadgets afins foi necessário um 'start', ou seja, o que a história chama de revolução industrial originada também no continente europeu no final do séc XVIII. Até então o que se entendia por civilização era a ocupação do espaço de produção voltada à agricultura e pecuária destinada a uma determinada comunidade local ou uma sesmaria (que era o espaço geográfico sob jurisdição paroquial, administrado pela Igreja). A distribuíção de alimentos e suprimentos eram localizadas e as trocas com o mundo exterior se limitavam apenas a suprir os produtos que não podiam ser produzidos ali por conta de sua condição natural, simples assim. Entretanto, em dado momento histórico, para que as elites urbanas burguesas de cada localidade justificassem o seu status social, geraram uma demanda potencial de consumo, e essas trocas que até então eram meramente mercantis, ou seja, de produção artesanal ou em pequena escala, portanto não produzidos em quantidade suficiente para satisfazer essa mesma demanda. Passaram então a patrocinar unidades de produção fabris em seus próprios territórios, e com a produção em série e em grande escala, a economia desses lugares se ampliou e se dinamizou ao ponto dos estados nacionais europeus pioneiros na implementação desse sistema eonômico/financeiro, a consolidarem o seu desenvolvimento político e econômico e assim, passaram a exportar um modelo civilizatório. A Inglaterra, de onde essa revolução industrial se institucionalizou com mais força, tomou a dianteira como principal potência mundial do século XIX, e sua elite intelectual defendia que o homem comum, idependentemente de sua nacionalidade, deveria estar ligado a uma lógica de trabalho pago assalariado para poder comprar os ítens que bem necessitasse para sí e para a sua família, ou seja, sua cidadania estaria essencialmente vinculada ao consumo dos bens produzidos pela indústria. E essas unidades de produção fabris poderiam assim receber os gêneros produzidos no campo e as matérias-primas para beneficiá-los e transformá-los em novos produtos prontos para o consumo com uma demanda potencial cada vez maior, inclusive ao se criar novos mercados em outros países, que comprariam a produção excedente por meio de importações, e assim, o dinheiro advindo desse sistema permitiu um desenvolvimento tecnológico e científico sem precedentes na história e as instituíções jurídicas e governamentais desses países, em paralelo ajudaram a consolidar esse modelo.

Então o capitalismo ajudou a extinguir a escravidão, certo?

Por um lado, houve um intenso movimento nos países do continente americano incentivados pelos antigos colonizadores europeus para a substituíção da mão-de-obra escrava para o trabalho assalariado, o que revelou-se um sucesso nos anos subsequentes. Porém, o que fazer com a horda de pobres camponeses que não precisavam mais se submeter aos seus antigos feitores? Daí o discurso racismo científico entra na história, já que nesses países americanos o trabalhor escravo camponês tinha a pele negra e a sua origem era africana. Enquanto na Europa, os pobres camponeses, que não eram negros e sim europeus de cor branca, eram absorvidos como mão-de-obra para a indústria. Já por essas bandas, onde negros, brancos e índios dividiam no mesmo espaço geográfico, foi criada uma solução pólítica e institucional para que a ordem vigente fosse mantida, ou seja, para que industrialização fosse implementada nesses novos espaços determinou-se que as diferentes "raças" fossem classificadas pelo estado de modo a garantir que as elites econômicas das sociedades locais mantivessem o seu poder, diga-se de passagem filhos e herdeiros dos colonizadores europeus, de modo a provar 'científiamente' que estes eram mais capazes e inteligentes de modo a garantir que esse modo de civilização se mantivesse a fim de desenvolver a nação como um todo, e o papel do estado, também controlado majoritariamente pelas elites econômicas e intelectuais de cidadãos de cor branca, serviria para uma vez identificado os diferentes grupos raciais, desenvolver os mecanismos para educar, corrigir e controlar as populações desses diferentes grupos a voltarem-se para um progresso social igualitário e homogeneo da população. Que discurso bonito, não é? Isso funcionou muito bem nos EUA do início do século XX, onde o desenvolvimento indústrial controlado pela elite branca permitiu receber a mão-de-obra de qualquer outro grupo racial que fosse, já que o estado faria esse papel de corrigir a diferença existente entre as então 'raças'. Lá também houve escravidão no seu período de colonização, e a população de origem afro-americana representava nessa época o maior desses grupos, o que motivou a serem criados espaços e serviços públicos destinados exclusivamente a essa fatia da população, separados dos brancos.

Mas como era possível classificar esses grupos raciais se naquela época não tinha exame de DNA para comprovar a sua cor?

Simples, nos EUA e nos países europeus a sua linhagem era determinada pela investigação de sua árvore genealógica, ou seja, para ser classificado como 'negro' bastasse que algum antepassado também o fosse, mesmo que muito distante, como um bisavô ou um tataravô que fosse africano e escravo, o que foi chamado de política de 'uma gota de sangue' e que dá nome ao livro citado. Algumas décadas depois, esse critério foi utilizado pela Alemanha Nazista para segregar os judeus dos ditos 'arianos' superiores como justificativa ao Holocausto.

O lado B dessa história, é que com a implementação dessa racialização da espécie humana, em paralelo com a necessidade de ocupação de novos espaços devido ao crescente desenvolvimento econômico das nações industrializadas para garantir novas fontes de matéria-prima e de riquezas naturais para financiar a produção industrial, promoveu-se uma corrida desenfreada para ocupar esses espaços, e assim houve um novo movimento de colonização territorial. E como não eram espaços vazios, haviam populações que viviam de modo tradicional (como vemos aqui por exemplo nas reservas indígenas hoje), usaram as teorias racistas para subjulgaram essas pessoas como culturalente inaptas para que pudessem simplesmente invadir e roubar o seu espaço e, como nesses lugares não havia um estado ou instituíções que os apartasse até então, essas pessoas eram sumariamente eliminadas ou eram forçadas a mudarem completamente o seu modo de vida, sua cultura e seus costumes com uma arma de fogo apontadas para sí, sob a justifiativa de estar promovendo a sua 'civilização'; equivalentes a animais selvagens que devem ser domados e adestrados ao gosto do dominador. Os maiores exemplos disso foram a 'corrida para o Oeste' nos EUA durante o séc. XIX, que dizimaram mais de 90% da população de origem indígena local, e o regime de Apartheid na África do Sul, que durou mais de 40 anos e terminou apenas em 1990, com a segregação geográfica e social entre os grupos de negros e brancos como doutrina oficial de estado, onde a maioria da população negra daquele país fora confinada em bantusões e guetos (unidades territoriais fechadas destinadas a esse segmento da população), largadas à sua propria sorte, a pobreza, a miséria absoluta e a fome; enquanto a elite minoritária branca ocupava a maior parte dos territórios com espaços produtivos e de fontes de recursos naturais para garantir o seu modo de vida baseado nos padrões da sociedade moderna contemporânea.

E por que aqui essa política de racialização da população brasileira não pegou?

Segundo o professor Magnoli, nesse periodo já havia uma grande miscigenação e as tentativas de 'branqueamento' de nossa população com o amplo incentivo do estado por meio da imigração de mão-de-obra excedente de origem européia e branca para fins de colonização, se mostraram inócuas ao passo que as políticas segregacionistas esbarravam na dificuldade de um enquadramento em uma única raça a nossa então elite local, já que era comum que um negro escravo cativo, por exemplo, adotasse o nome da família do seu dono, mesmo depois de liberto ou alforriado, bem como o de seus descendentes. Além disso, os filhos ditos 'bastardos' do colonizador, mestiços por definição, também eram incorporados à família do mesmo. Lembremos que o maior escritor da história da literatura brasileira, e que viveu justamente nessa época, Machado de Assis (vide foto), era mulato! Ainda assim, os defensores da idéia da classificação por raças e da promoção de um movimento de eugenização de nossa população esbarraram nas ideários dos médicos sanitaristas que viveram nesse período, tais como Haddock Lobo e Oswaldo Cruz, que fizeram um papel 'revolucionário' ao defenderem a tese e provarem que não era um determinado segmento dito 'racial' que era responsável por transmitir as moléstias que aflingiam a população, e sim os mosquitos!!! Ora, o que parece hoje óbvio para a gente, naquela época era uma descoberta extraordinária, já que acreditavam os eugenistas que por serem impuros, os mestiços, pardos, caboclos e mamelucos estariam aptos a desenvolverem moléstias por incorporarem defeitos genéticos provenientes dessas misturas de raças e seriam perigosos, pois eram vetores potenciais à contaminarem todo o restante da população.

Se estamos aqui hoje, em pleno século XXI, a re-discutir o passado, será que hoje essa política de raças ainda pega?

Segundo o professor Magnoli, e eu também compartilho da mesma opinião, as mesmas bases que no passado criaram um discurso ideológico com embasamento científico, com o objetivo de organizar os povos e agrupamentos humanos em raças em nome de um pretenso desenvolvimento social, hoje se promove o ideário do multiculturalismo, ou seja, já que 'raça' caiu em desuso hoje e é um termo politicamente incorreto, classifiquemos a população em grupos étnicos e culturais, ou seja, vamos dar um rótulo a aquele baiano que gosta de acarajé e ouve axé; ou aquele gaúcho que veste bombacha e toma chimarrão; ou para aquele carioca da gema, malandro por natureza, que de dia vive na praia e de noite cai na boemia; ou o paulistano estressado e viciado em trabalho, dos gays e lésbicas, dos evangélicos e por aí vai. Digamos que nosso governo resolva identificar e classificar todos os brasileiros de modo a enquadrá-los nesses grupos como políticas de ação afirmativa com a finalidade de garantir a todos esse grupos determinadas 'cotas' voltadas ao acesso aos bens e serviços de utilidade pública, tais como hospitais, escolas, universidade, etc.; nos moldes das polêmicas políticas de cotas existentes para o ingresso de pretos e pardos no ensino superior público. O discurso objetivo já viria pronto como citei alguns parágrafos antes, que é o de garantir o bem-estar a todos, com as partiularidades que cada grupo demanda e a correção das devidas distorções e injustiças históricas. Porém pense comigo, isso daria certo? Será que amanhã ao ver seu filho perder uma vaga na universidade para um 'cotista' de desempenho inferior no vestibular como nos exemplos que citei seria moralmente justo? E se fosse o contrário e seu filho fosse o beneficiado, será que não geraria no mínimo inveja por parte dos grupos do outro excluído pela cota? E se eu, paulistano me casasse com uma mineira ou uma baiana, o meu filho entraria em qual classe ou cota??? O grande problema de quem defende essa tese, é que ao dividirmos em grupos as pessoas, engessamos e desconsideramos a miscigenação, já que se parte do pressuposto que uma vez pertenente a um grupo, a pessoa é excluído de outros, exatamente como era antes...

Pois é, e para deixar isso mais claro vou parafrasear o grande libertário e defensor dos direitos civis nos EUA, na década de 1960, Martin Luther King Jr. (foto) que questionava:

"Não somos o que deveriamos ser, não somos o que desejamos ser, não somos o que iriamos ser, mas graças a Deus não somos o que eramos."

Precisamos voltar então a ser o que era antes pra que a humanidade tenha um futuro melhor? Ou como ele mesmo defendia a tese que somos apenas seres humanos perante o Criador, e que raça é apenas uma invenção do homem para querer diferenciar a sua ignorância, e jamais na história os grupos humanos separados se tornaram iguais, apenas continuariam desiguais. Algumas décadas depois, o primeiro presidente de origem afro-americana, Barak Obama, tomou posse como mandatário da Casa Branca, com uma política de defesa ampla dos direitos humanos para o conjunto total de cidadãos norte-americanos.

E eu, como paulistano, aprecio a beleza de todas as mulheres brasileiras, idependentemente de origem, principalmente pelas suas partiularidades regionais e culturais, ainda bem!

Saiba mais a respeito em outros textos deste blog aqui, aqui e aqui.

Livros:

COUTO, Mia - Cada homem é uma raça; ed. Nova Fronteira, 1998.

MAGNOLI, Demétrio - Uma gota de sangue: História do pensamento racial; ed. Contexto, 2009.

SERRANO, Carlos & WALDMAN, Maurício - Memória D´África: A temática africana em sala de aula; ed. Cortez, 2008.

Filmes:

Hurricane: O Furacão - EUA/1999; Dir. Norman Jewison; com Denzel Washington.



Os Deuses devem estar loucos - África do Sul/Botsuana, 1980. Dir: Jamie Uys




Memórias Póstumas - Brasil/2001; Dir. André Klotzel; com Reginaldo Faria e Marcos Caruso.



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Comente e dê a sua opinião!

Mister Ale

sábado, 29 de agosto de 2009

Uma ação pelo nosso planeta no presente: Carta de 12 de abril de 2049

Copenhague, 12 de abril de 2049.

Era uma fresca e agradável manhã de primavera, a temperatura não psssou de 42°C à sombra. Vovó Sara, 71 anos de idade, foi fazer uma caminhada na beira do mar com o seu neto, Estéano, 10 anos. Eles iniciaram uma conversa muito animada:

Estéfano: Vovó, é verdade que o papai me disseste essa manhã, que embaixo deste mar à nossa frente reside uma cidade inteira que se chamava Copenhague?

Sara:
Sim, querido Estéfano: Era uma cidade grande, bonita e charmosa, cheia de palácios, torres, teatros, universidades. Costumavamos viver ali, com nossos amigos e família, antes da Catástrofe.

Estéfano:
O que houve?

Sara:
Não aprendeste sobre isso na escola? Os gases de efeito estufa resultamtes da queima de combustíveis fósseis -carvão e petróleo- produziram um aumento na tempetatura, assim bilhões de toneladas de gelo vindas do pólo Norte e da Groelândia se derreteram. Começou bem devagar, porém há alguns anos atrás enormes blocos de gelo subitamente escorregaram para o mar, e o nível dos oceanos subiu vários metros.

Estéfano:
Sei... Isso aconteceu apenas aqui, na Dinamarca?

Sara:
Ah não, meu filho. Isso aconteceu em todo o mundo. Várias outras belas cidades como Veneza, Amsterdã, Londres, Nova Iorque, Rio de Janeiro, Dacca, Hong-Kong estão agora sob o mar.

Estéfano:
Será que nunca verei Copenhague e essas outras belas cidades?

Sara:
Creio que não, Estéfano. Alguens climatologistas dizem que em alguns milhares de anos o clima mudará novamente, o mar deve retroceder, revelando as ruínas de nossas esplêndidas cidades. Mas não estaremos lá pra ver isso.

Estéfano:
Mas vovó, ninguém previu essa Catástrofe?

Sara:
Muita gente previu sim! Alguns cientístas, como
James Hansen, climatologista da NASA, há 40 anos atrás havia previsto que isso aconteceria com bastante precisão se continuassemos nesse rítimo de produção econômica. Outros cientístas também previram o que aconteceu no sul da Europa: ao invés de campos verdejantes no sul da Itália, França e Espanha, temos agora o que chamamos de Deserto do Saara do Sul da Europa.

Estéfano:
Diga-me vovó, a Catástrofe era inevitável?

Sara:
Na verdade não, filho. Algumas décadas atrás era ainda possível evitá-la se mudanças radicais tivessem sido feitas.

Estéfano:
Por que os governantes durante esses anos todos não tomaram alguma iniciativa?

Sara:
A maioria deles serviam os interesses de uma elite dominante, que se recusaram a considerar qualquer mudança que ameaçasse o sistema econômico vigente -a economia capitalista de mercado- os seus privilégios e seu estilo de vida. Eram uma espécie de "oligarquia fóssil" na qual perseguiu-se obstinamente o petróleo e o carvão, e que considerava qualquer proposta de substituíção rápida delas por energias renováveis (como a energia solar) como "não-realista", ou como uma ameaça a "competitividade" de suas empresas. O mesmo aplica-se à indústria automobilística, ao transporte de mercadorias por caminhões, etc.

Estéfano:
Como poderiam ser tão cegos?

Sara:
Olha, em 2009, enquanto ainda existia a cidade de Copenhague, governates do mundo todo se reuniram aqui pela
Conferência Mundial para as Mudanças Climáticas. Fizeam belos discursos, mas chegaram a nenhuma conclusão significativa sobre o que se fazer nos próximos anos; alguns países ricos industrializados anunciaram que eles reduziriam pela metade às emissões de gases de efeito estufa... até 2050. E não acharam nada melhor do que isso, entretanto, se estabeleceu um "sistema legal de comércio de emissões" aonde os grandes poluídores obtiveram o direito de continuar a poluir.

Estéfano:
E ninguém protestou?

Sara:
Claro que houve protesto! Massas de pessoas zangadas vieram de toda a Europa, e também de países distantes para Copenhague manifestar o seu protesto, e pediam por medidas radicais e imediatas, como a redução das emissões em 40% para 2020 (deveriamos ter pedido 80%). Dentre as pessoas que apoiavam essas medidas, haviam algumas -Eu era uma delas- que se intitulavam ecosocialistas.

Estéfano:
O que você propôs?

Sara:
Discutimos que uma mudança social radical era necessária, passando os meios de produção das mãos da oligarquia capitalista e
dá-los ao povo; chamamos isso de novo modelo de civilização, um novo padrão de produção -usando a energia solar- e de consumo, suprimindo a propaganda e todo lixo inútil por ela promovida. Ao invés de um ilimitado "crescimento", baseado no lucro ilimitado e na acumulação de capital, propusemos um planejamento de produção democrático, de acordo com as reais necessidades sociais, bem como a proteção do meio ambiente.

Estéfano:
Isto me parec
e bem razoável! Mas qual foi a resposta das autoridades?

Sara:
Bem, nós e todos os jovens protestantes foram recebidos pela polícia com cacetetes e gás lacrimogeneo.

Estéfano:
Você foi atingida vovó?

Sara:
Ah sim! Fui atingida por um cacetete de borracha e minha orelha esquerda quase foi quase decepada. Olha, eu ainda tenho uma marca disso aqui, debaixo dos meus cabelos...


Créditos: Tradução livre do inglês com grifos de minha autoria encontrado em
http://www.ecosocialistnetwork.org/, todos os direitos reservados.

ps: Os links no texto redirecionam as informações para sites com aprofundamento das mesmas.

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Comentário:

Depois de ter visto essa semana algumas cenas de barbárie numa ação de despejo promovida pelo estado num processo de reintegração de posse de propriedade privada (como nos videos relacionados abaixo), chego a conclusão que se quisermos ser uma "sociedade" de fato, devemos primeiramente nos sentir envergonhados em assistir em pleno século XXI, seres humanos que dividem o mesmo espaço urbano que nós serem brutalmente humilhados com a perda do que eles podiam chamar de "lar" com as suas crianças dormindo ao relento na sujeira debaixo de chuva, e ainda sujeitos a aproveitadores de todo o tipo, inclusive como protagonistas de espetáculo para a tv.

É absolutamente inaceitável tamanha indiferença em relação a quem vive sem um lar. Afinal, é condição de dignidade de qualquer um que é capaz de ler esse texto saber que existe o conforto do seu lar, porém como o planeta Terra é o único lar para todos nós, ainda temos pessoas que sentem-se abandonadas à sua propria sorte, por simplesmente não ter os recursos materiais necessários para ter um lar digno em nossa sociedade tecnológica e seus tantos iPods, smartphones, palácios, carrões, iates, etc.

A natureza, como sempre, nos traz as respostas às agressões que promovemos a ela e, consequentemente, a nós mesmos pelos descaminhos que nossos governantes tomam, ao promover um desenvolvimento econômico e social baseado apenas no incentivo ao consumo em massa, no esgotamento dos recursos naturais e na produção de lixo sem precedentes na história da humanidade.

Para quem estiver aqui daqui há 50 anos, desejo apenas boa sorte!


Mister Ale





Atualização de 8/09/2009:

Segue abaixo reportagem publicada na última semana pelo portal do Estadão na internet. A íntegra desta reportagem pode ser lida através do seguinte link: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090904/not_imp429401,0.php

Área que foi reintegrada deve R$ 317 mil de IPTU

Terreno no Capão Redondo pertence à Viação Campo Limpo e foi desocupado pela PM; empresa também deve R$ 30 mi ao INSS

Diego Zanchetta

A Viação Campo Limpo deve à Prefeitura de São Paulo R$ 317 mil de IPTU referente ao terreno de 33 mil m² onde houve, na semana passada, uma reintegração de posse, no Capão Redondo, zona sul de São Paulo. A empresa ganhou na Justiça o direito de reaver a área, de onde foram retiradas pela Polícia Militar cerca de 2 mil pessoas de 800 barracos. Mas o espaço pode ser penhorado tanto pelo governo municipal como pela Previdência - a viação também deve R$ 30 milhões ao INSS.No ranking dos 2.340 grandes devedores do IPTU, a Viação Campo Limpo ocupa a última posição. O pagamento do tributo sobre o terreno de valor venal estimado em R$ 1,2 milhão não é pago desde 1995. Há quatro meses a Procuradoria-Geral do Município começou a entrar com ações judiciais solicitando a penhora dos bens de devedores do IPTU. A Secretaria Municipal de Finanças informou ontem que os débitos da empresa de ônibus referentes a 2001 e 2007 também estão em "fase de penhora".A invasão ocorrida há cerca de nove meses teve como foco diretriz da Frente de Luta por Moradia que defende justamente a ocupação de terrenos ociosos de devedores da Previdência e de tributos municipais. O espaço segue desocupado. A Defensoria Pública do Estado defende que o governo municipal desaproprie a área e desconte a dívida de parte do valor do terreno. "O débito é um bom motivo para a Prefeitura tentar desapropriar o imóvel e construir moradias no local", disse Carlos Loureiro, coordenador do Núcleo de Habitação da Defensoria.Douglas Góes, advogado da empresa, afirmou que não faria comentários sobre a dívida. "Vocês da imprensa querem distorcer o fato. Existe decisão judicial que impediu a invasão de um terreno particular, esse é o centro principal da questão", disse. A empresa negocia com o governo o parcelamento de parte do débito por meio do Programa de Parcelamento Integrado (PPI). A dívida da Previdência, referente ao não recolhimento do FGTS de ex-funcionários, é contestada na Justiça.Procurado para comentar a dívida da viação, o SPUrbanuss (sindicato patronal das viações) informou que a empresa não é credenciada. Em março de 2006, a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) descredenciou a empresa, que operava oito linhas intermunicipais, já que em 2005 havia sido multada mais de 900 vezes por falhas nos serviço. O vereador Antonio Donato (PT) vai convocar representantes da viação para depor na CPI do IPTU da Câmara.



quarta-feira, 29 de julho de 2009

A raposa e as galinhas - Texto Ruben Alves


Para entendermos um pouco mais sobre política e os políticos.


Explicando política às crianças - RUBEM ALVES

No Brasil, são muitos os partidos que, no frigir dos ovos, se reduzem a dois: o das raposas e o das galinhas

IMAGINO QUE AS crianças devam ficar muito confusas com as notícias da política. Resolvi, então, preparar um pequena cartilha que as ajudará a entender essa coisa misteriosa que é o centro da vida nacional e que, por vezes, quando convém aparece e quando não convém, desaparece...
Somos uma democracia. A democracia é o melhor sistema político. É o melhor porque nele, ao contrário das ditaduras, é o povo que toma as decisões;
Em Atenas, berço da democracia, era fácil consultar a vontade do povo. Os cidadãos se reuniam numa praça e tomavam as decisões pelo voto. Mas no Brasil são milhares de cidades, espalhadas por milhares de quilômetros e os cidadãos são milhões. Não podemos fazer uma democracia como a de Atenas. Esse problema foi resolvido de forma engenhosa: os cidadãos, milhões, escolhem por meio de votos uns poucos que irão representá-los. O Congresso é a nossa Atenas...;
Os representantes do povo, eleitos pelos votos dos cidadãos -vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores, presidente-, são pessoas que abriram mão dos seus interesses e passaram a cuidar dos interesses do povo;
É assim que dizem as teorias. Na prática, não é bem assim...;
No Brasil, são muitos os partidos que, no frigir dos ovos, se reduzem a dois: o partido das raposas e o partido das galinhas;
As raposas, devotas de São Francisco, sabem que é dando que se recebe. Assim, movidas por esse ideal espiritual, elas dão milho para as galinhas...;
As galinhas acreditam nas boas intenções das raposas e tomam esse gesto de dar milho como expressão de amizade. A abundância do milho as faz confiar nas raposas. E, como expressão da sua confiança nascida do milho, elas elegem as raposas como suas representantes. Assim, na democracia brasileira, as raposas representam as galinhas;
Eleitas por voto democrático, às raposas é dado o direito de fazer as leis que regerão a vida das galinhas e das raposas...;
As leis que regem o comportamento das raposas não são as mesmas das galinhas. Sendo representantes do povo, precisam de proteção especial. Essa proteção tem o nome de "privilégios", isto é, leis que se aplicam só a elas;
Privilégio é assim: raposa julga galinha. Mas galinha não julga raposa. Raposa julga raposa. Logo, raposa absolve raposa;
11. "Todos os cidadãos são livres e têm o direito de exercer a sua liberdade." As galinhas são livres para serem vegetarianas e têm o direito de comer milho. As raposas são carnívoras e livres para comer galinhas;
12.A vontade das galinhas, ainda que de todas elas, não tem valia. Vontade de galinha solitária só serve para escolher suas representantes;
13. Permanece a sabedoria secular de Santo Agostinho, aqui em linguagem brasileira: "Tudo começa com uma quadrilha de tipos fora da lei, criminosos, ladrões, corruptos, doleiros, burladores do fisco, mafiosos, mentirosos, traficantes. Se essa quadrilha de criminosos se expande, aumenta em número, toma posse de lugares, de cargos, de ministérios, da presidência de empresas e fica poderosa ao ponto de dominar e intimidar os cidadãos -e estabelecendo suas leis sobre como repartir a corrupção-, ela deixa de ser chamada quadrilha e passa a ser chamada de Estado. Não por ter-se tornado justa, mas porque aos seus crimes se agregou a impunidade".
14.Portanto, galinhas do Brasil! Acordai! Uni-vos contra as raposas!


O texto encontra-se na íntegra em www.rubenalves.com.br

Mister Ale

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Notícias do Brasil

Gente,

você já pensou no porquê do noticiário de economia do Brasil só se falar dos juros altos? E quando compramos algo financiado, é justo se pagar 2 ou até 3x o valor real de um bem por conta do risco de calote?
Bom, os videos abaixo mostram situações em nossa sociedade que não servem de bom exemplo pra ninguém. Você emprestaria dinheiro para um polícial que usa a viatura de seu trabalho para praticar rachas ao invés de servir segurança para a população?


Agora pense, sempre fazemos piadas sobre a nossa própria pobreza e desgraça né? Agora quando o próprio estado põe as pessoas para moraram embaixo de um viaduto como na reportagem a seguir, você iria emprestar dinheiro a esse governante quando ele improvisa uma solução aonde seus cidadãos são postos em condições tão indignas para viver?


Por isso não nos levam a sério, e pagamos $BEM CARO$ por isso! Inclusive VOCÊ, então o que fazer, vamos continuar apenas a servir como motivo de piada?


ps: Esses jovens foram pegos pela polícia nesta última madrugada na rua de cima aqui do meu bairro.

Mister Ale