ter o poder de expressar palavras e idéias aqui durante o ano de 2009 foi uma terapia verdadeira durante esse período da minha vida e que me trouxe profundas reflexões; a principal é que a vida é única e que ela deve ser vivida plenamente! Estou de férias, e por ora, consumindo por novas idéias e pensamentos para 2010.
Convido-os a continuarem acompanhando esse espaço, pois pretendo trazer novidades em breve!
Um Feliz Natal e um próspero ano novo a você leitor e para a sua família! Que 2010 seja um período marcado pela alegria de viver!
é com satisfação que vos escrevo hoje para celebrar o dia daquela figura que é a mais importante na vida de uma criança depois de sua família, que é o professor.
Este profissional, assume para a sua vida o desafio de fomentar o conhecimento do seu público, é responsável pela formação e o desenvolvimento intelectual de nossa sociedade e tem de ser um exemplo de conduta, ética e moral afim de proporcionar momentos mágicos e únicos a todos os aprendizes que o reconhecem como um líder!
Muitas vezes, as crianças e os adolescentes não gostam de receber de seus professores as broncas por indisciplina e as notas baixas após uma prova, e as vezes até reagem com alguma violência e impetuosidade por se aborrecerem com esse professor. Porém, para nós, conscientes e comprometidos com o papel de formação do indivíduo, sabemos que é ao mostrar as falhas e os limites no processo que o crescimento e a felicidade ao aprender algo novo é depois reconhecido como importante e fundamental na vida futura de seu aluno.
Convido-os assim para uma breve reflexão: - Qual será o papel do professor no futuro da sociedade? - Pois vejo que hoje ela questiona a capacidade deste profissional, especialmente os que trabalham em escolas públicas e que lidam no seu dia-a-dia com crianças e jovens em situação de risco, sujeitos a abusos, violências e carências afetivas, além das profundas deficiências estruturais e de recursos humanos na formação e qualificação profissional que o ensino oficial no Brasil possui e as imensas dificuldades para saná-los.
O que posso dizer de tudo isso é que apesar de todas as arguras, o professor de verdade assume o seu trabalho com amor e reconhecemos isso em cada sorriso, em cada abraço, em cada palavra ou manifestação de carinho espontaneamente dada por quem se dispõe a ser o seu aprendiz e seguidor. A educação é assim, um ato que vai além da matéria de história na lousa ou da aplicação de uma prova de matemática, é um aprendizado para a vida toda. Assim, todos os dias é o dia do professor!
O homenageado da foto é considerado o maior pensador brasileiro da área de educação de todos os tempos, além de ser um dos grandes gênios da humanidade e da sociedade contemporânea, reconhecido como doutor Honoris Causa em 28 universidades espalhadas pelo mundo e pela UNESCO, "Professor" Paulo Freire, que deixou um vasto conhecimento e um legado a ser repassado para as futuras gerações e ao divagar sobre o papel da educação deixou essa 'pequena' provocação:
"Ninguém educa ninguém, ninguém se educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo." Paulo Freire (1921 - 1996)
depois do furo dado pela reportagem do Estadão na madrugada de hoje, só me resta a lamentar, lamentar e lamentar. Se para os estudantes foi um prejuízo, já que estavam certamente numa imensa expectativa e ansiedade, muitos 'rachando' em horas de estudo durante esses últimos meses; para nós educadores, que passamos o ano discutindo estratégias para aproveitamento de estudos devido ao caratér inédito do novo formato dessa avaliação é de se causar indignação, já que tudo isso virou vinagre devido a falta de moralidade de 1/2 dúzia de pessoas que quebraram as regras em troca de dinheiro pela 'exclusividade' em vender a prova.
Regras? O adolescente adora quebrá-las, seja por pura rebeldia juvenil, seja pra conquistar a sua liberdade, mas que no fim reconhece que elas não são apenas importantes, e sim essencialmente necessárias para que se haja uma ordem de modo que ele aprenda as lições que a vida lhe dá, muitas vezes causadas pela própria desordem dessas mesmas regras que o jovem adora quebrar!
Porém, quando um adulto, consciente dos seus atos comete um ato desse é considerado um criminoso! Afinal, sua atitude causou 'apenas' o cancelamento da prova, ou seja, 4,1 milhões de estudantes que fariam as provas nesse final-de-semana ficarão em casa correndo o risco de quando remarcarem a nova data, em até 45 dias segundo o governo, da sua nota ser descartada pelas principais universidades do país devido ao encurtamento dos prazos para a sua correção e divulgação dos seus resultados. Fora os prejuízos financeiros na ordem de milhões de reais, tais como a necessidade de reimpressão das provas em nova versão; a elaboração de um novo esquema de logística para distribuí-las aos locais de prova; o deslocamento de profissionais, professores e fiscais para o andamento da prova numa nova data, etc.
Concluíndo, é desanimador quando as instituíções do nosso país são tão facilmente iludibriadas e postas de joelhos por, segundos palavras do ministro Fernando Haddad, AMADORES! Você, jovem estudante, se por um lado terá mais algumas semanas para estudo, se questione o porquê do nosso país depois de uma notícia dessa não ser levado a sério no exterior; do porquê do nosso consumidor ter de pagar o maior juro bancário do mundo; do porquê de tanta riqueza conviver ao lado de tamanha miséria nas grandes cidades; do porquê da nossa educação pública ser tão desvalorizada pela sociedade! Afinal, pra que estudar se sempre tem um esquema mais fácil pra se 'fazê uns ganho'?
Ética, moral e civismo ainda passam longe de ser uma matéria ensinada em sala de aula nos dias atuais, mas a vida mostra depois o quanto perdemos por desconhecer o significado dessas palavras.
Mister Ale Atualização de 02/10 - Baixe as provas liberadas nos links abaixo:
E veja o depoimento do ocorrido nas palavras da jornalista Renata Cafardo, que denunciou a tramóia toda, clicando aqui.
Atualização de 06/10 - Remarcada as provas para 05 e 06/12
Segundo nota oficial divulgada pelo MEC, a prova do ENEM foi remarcada para o primeiro final-de-semana do mês de dezembro, dias 05 e 06. Depois de toda a polêmica gerada pela falha de segurança na distribuíção das provas, o governo cancelou o contrato com o consórcio responsável pela prova e teve que fazer um contrato de emergência, ou seja, sem licitação pública com a CESGRANRIO (que foi responsável pela prova de 1998 até 2008) e a CESPE. Como prejuízo ao adiamento, a UNICAMP, cujas inscrições para o processo vestibular terminam hoje, em nota oficial que pode ser acessada pelo link aqui, decidiu que não utilizará a nota do novo ENEM no compito de sua avaliação. Além do mais outras seis instituíções públicas tais como a UnB, UFSC, UNESP, Uerj, UFJF e FGV programaram suas provas para essas mesmas datas e terão que ser rediscutidas a partir de então.
Atualização de 07/10 - USP não utilizará mais a nota do ENEM
ENEM e FUVEST 2010.
A realização do exame do ENEM em 05 e 06 de dezembro, conforme decisão do INEP, inviabiliza, lamentavelmente, a utilização de seus resultados no Vestibular USP/FUVEST 2010, por razões operacionais. Em consequência, a nota da primeira fase da FUVEST será exatamente o número de pontos que o candidato obtiver no exame a ser realizado em 22 de novembro próximo. Para os candidatos que optaram pelo INCLUSP, o cálculo do bônus correspondente à nota do ENEM será, excepcionalmente, feito com base no desempenho do candidato no exame da 1ª fase da FUVEST.
ps: todos as palavras grifadas em azul redirecionam para links de interesse.
hoje estou a escrever inspirado pelo grande geógrafo, professor e ilustríssimo autor do livro "Uma gota de Sangue: História do pensamento racial" Demetrio Magnoli, cuja entrevista no Programa do Jô acabara de assistir nesta madrugada de terça para quarta.
Um dos pilares de sua obra tem por base a teoria do racismo científico, desenvolvido em meados do século XIX por pensadores europeus num contexto geopolítico onde as grandes potências do mundo ampliavam as suas esferas de poder com a colonização de vastos espaços na África e na Ásia, como forma de subjulgamento dos povos colonizados, tidos como inaptos ou incapazes de compreender o modo civilizatório do colonizador, o que justificou a invasão, o genocídio e assassinato de populações inteiras nesses lugares até então.
Como tudo isso começou?
Lembremos que para que hoje tenhamos computadores, celulares, carros e gadgets afins foi necessário um 'start', ou seja, o que a história chama de revolução industrial originada também no continente europeu no final do séc XVIII. Até então o que se entendia por civilização era a ocupação do espaço de produção voltada à agricultura e pecuária destinada a uma determinada comunidade local ou uma sesmaria (que era o espaço geográfico sob jurisdição paroquial, administrado pela Igreja). A distribuíção de alimentos e suprimentos eram localizadas e as trocas com o mundo exterior se limitavam apenas a suprir os produtos que não podiam ser produzidos ali por conta de sua condição natural, simples assim. Entretanto, em dado momento histórico, para que as elites urbanas burguesas de cada localidade justificassem o seu status social, geraram uma demanda potencial de consumo, e essas trocas que até então eram meramente mercantis, ou seja, de produção artesanal ou em pequena escala, portanto não produzidos em quantidade suficiente para satisfazer essa mesma demanda. Passaram então a patrocinar unidades de produção fabris em seus próprios territórios, e com a produção em série e em grande escala, a economia desses lugares se ampliou e se dinamizou ao ponto dos estados nacionais europeus pioneiros na implementação desse sistema eonômico/financeiro, a consolidarem o seu desenvolvimento político e econômico e assim, passaram a exportar um modelo civilizatório. A Inglaterra, de onde essa revolução industrial se institucionalizou com mais força, tomou a dianteira como principal potência mundial do século XIX, e sua elite intelectual defendia que o homem comum, idependentemente de sua nacionalidade, deveria estar ligado a uma lógica de trabalho pago assalariado para poder comprar os ítens que bem necessitasse para sí e para a sua família, ou seja, sua cidadania estaria essencialmente vinculada ao consumo dos bens produzidos pela indústria. E essas unidades de produção fabris poderiam assim receber os gêneros produzidos no campo e as matérias-primas para beneficiá-los e transformá-los em novos produtos prontos para o consumo com uma demanda potencial cada vez maior, inclusive ao se criar novos mercados em outros países, que comprariam a produção excedente por meio de importações, e assim, o dinheiro advindo desse sistema permitiu um desenvolvimento tecnológico e científico sem precedentes na história e as instituíções jurídicas e governamentais desses países, em paralelo ajudaram a consolidar esse modelo.
Então o capitalismo ajudou a extinguir a escravidão, certo?
Por um lado, houve um intenso movimento nos países do continente americano incentivados pelos antigos colonizadores europeus para a substituíção da mão-de-obra escrava para o trabalho assalariado, o que revelou-se um sucesso nos anos subsequentes. Porém, o que fazer com a horda de pobres camponeses que não precisavam mais se submeter aos seus antigos feitores? Daí o discurso racismo científico entra na história, já que nesses países americanos o trabalhor escravo camponês tinha a pele negra e a sua origem era africana. Enquanto na Europa, os pobres camponeses, que não eram negros e sim europeus de cor branca, eram absorvidos como mão-de-obra para a indústria. Já por essas bandas, onde negros, brancos e índios dividiam no mesmo espaço geográfico, foi criada uma solução pólítica e institucional para que a ordem vigente fosse mantida, ou seja, para que industrialização fosse implementada nesses novos espaços determinou-se que as diferentes "raças" fossem classificadas pelo estado de modo a garantir que as elites econômicas das sociedades locais mantivessem o seu poder, diga-se de passagem filhos e herdeiros dos colonizadores europeus, de modo a provar 'científiamente' que estes eram mais capazes e inteligentes de modo a garantir que esse modo de civilização se mantivesse a fim de desenvolver a nação como um todo, e o papel do estado, também controlado majoritariamente pelas elites econômicas e intelectuais de cidadãos de cor branca, serviria para uma vez identificado os diferentes grupos raciais, desenvolver os mecanismos para educar, corrigir e controlar as populações desses diferentes grupos a voltarem-se para um progresso social igualitário e homogeneo da população. Que discurso bonito, não é? Isso funcionou muito bem nos EUA do início do século XX, onde o desenvolvimento indústrial controlado pela elite branca permitiu receber a mão-de-obra de qualquer outro grupo racial que fosse, já que o estado faria esse papel de corrigir a diferença existente entre as então 'raças'. Lá também houve escravidão no seu período de colonização, e a população de origem afro-americana representava nessa época o maior desses grupos, o que motivou a serem criados espaços e serviços públicos destinados exclusivamente a essa fatia da população, separados dos brancos.
Mas como era possível classificar esses grupos raciais se naquela época não tinha exame de DNA para comprovar a sua cor?
Simples, nos EUA e nos países europeus a sua linhagem era determinada pela investigação de sua árvore genealógica, ou seja, para ser classificado como 'negro' bastasse que algum antepassado também o fosse, mesmo que muito distante, como um bisavô ou um tataravô que fosse africano e escravo, o que foi chamado de política de 'uma gota de sangue' e que dá nome ao livro citado. Algumas décadas depois, esse critério foi utilizado pela Alemanha Nazista para segregar os judeus dos ditos 'arianos' superiores como justificativa ao Holocausto.
O lado B dessa história, é que com a implementação dessa racialização da espécie humana, em paralelo com a necessidade de ocupação de novos espaços devido ao crescente desenvolvimento econômico das nações industrializadas para garantir novas fontes de matéria-prima e de riquezas naturais para financiar a produção industrial, promoveu-se uma corrida desenfreada para ocupar esses espaços, e assim houve um novo movimento de colonização territorial. E como não eram espaços vazios, haviam populações que viviam de modo tradicional (como vemos aqui por exemplo nas reservas indígenas hoje), usaram as teorias racistas para subjulgaram essas pessoas como culturalente inaptas para que pudessem simplesmente invadir e roubar o seu espaço e, como nesses lugares não havia um estado ou instituíções que os apartasse até então, essas pessoas eram sumariamente eliminadas ou eram forçadas a mudarem completamente o seu modo de vida, sua cultura e seus costumes com uma arma de fogo apontadas para sí, sob a justifiativa de estar promovendo a sua 'civilização'; equivalentes a animais selvagens que devem ser domados e adestrados ao gosto do dominador. Os maiores exemplos disso foram a 'corrida para o Oeste' nos EUA durante o séc. XIX, que dizimaram mais de 90% da população de origem indígena local, e o regime de Apartheid na África do Sul, que durou mais de 40 anos e terminou apenas em 1990, com a segregação geográfica e social entre os grupos de negros e brancos como doutrina oficial de estado, onde a maioria da população negra daquele país fora confinada em bantusões e guetos (unidades territoriais fechadas destinadas a esse segmento da população), largadas à sua propria sorte, a pobreza, a miséria absoluta e a fome; enquanto a elite minoritária branca ocupava a maior parte dos territórios com espaços produtivos e de fontes de recursos naturais para garantir o seu modo de vida baseado nos padrões da sociedade moderna contemporânea.
E por que aqui essa política de racialização da população brasileira não pegou?
Segundo o professor Magnoli, nesse periodo já havia uma grande miscigenação e as tentativas de 'branqueamento' de nossa população com o amplo incentivo do estado por meio da imigração de mão-de-obra excedente de origem européia e branca para fins de colonização, se mostraram inócuas ao passo que as políticas segregacionistas esbarravam na dificuldade de um enquadramento em uma única raça a nossa então elite local, já que era comum que um negro escravo cativo, por exemplo, adotasse o nome da família do seu dono, mesmo depois de liberto ou alforriado, bem como o de seus descendentes. Além disso, os filhos ditos 'bastardos' do colonizador, mestiços por definição, também eram incorporados à família do mesmo. Lembremos que o maior escritor da história da literatura brasileira, e que viveu justamente nessa época, Machado de Assis (vide foto), era mulato! Ainda assim, os defensores da idéia da classificação por raças e da promoção de um movimento de eugenização de nossa população esbarraram nas ideários dos médicos sanitaristas que viveram nesse período, tais como Haddock Lobo e Oswaldo Cruz, que fizeram um papel 'revolucionário' ao defenderem a tese e provarem que não era um determinado segmento dito 'racial' que era responsável por transmitir as moléstias que aflingiam a população, e sim os mosquitos!!! Ora, o que parece hoje óbvio para a gente, naquela época era uma descoberta extraordinária, já que acreditavam os eugenistas que por serem impuros, os mestiços, pardos, caboclos e mamelucos estariam aptos a desenvolverem moléstias por incorporarem defeitos genéticos provenientes dessas misturas de raças e seriam perigosos, pois eram vetores potenciais à contaminarem todo o restante da população.
Se estamos aqui hoje, em pleno século XXI, a re-discutir o passado, será que hoje essa política de raças ainda pega?
Segundo o professor Magnoli, e eu também compartilho da mesma opinião, as mesmas bases que no passado criaram um discurso ideológico com embasamento científico, com o objetivo de organizar os povos e agrupamentos humanos em raças em nome de um pretenso desenvolvimento social, hoje se promove o ideário do multiculturalismo, ou seja, já que 'raça' caiu em desuso hoje e é um termo politicamente incorreto, classifiquemos a população em grupos étnicos e culturais, ou seja, vamos dar um rótulo a aquele baiano que gosta de acarajé e ouve axé; ou aquele gaúcho que veste bombacha e toma chimarrão; ou para aquele carioca da gema, malandro por natureza, que de dia vive na praia e de noite cai na boemia; ou o paulistano estressado e viciado em trabalho, dos gays e lésbicas, dos evangélicos e por aí vai. Digamos que nosso governo resolva identificar e classificar todos os brasileiros de modo a enquadrá-los nesses grupos como políticas de ação afirmativa com a finalidade de garantir a todos esse grupos determinadas 'cotas' voltadas ao acesso aos bens e serviços de utilidade pública, tais como hospitais, escolas, universidade, etc.; nos moldes das polêmicas políticas de cotas existentes para o ingresso de pretos e pardos no ensino superior público. O discurso objetivo já viria pronto como citei alguns parágrafos antes, que é o de garantir o bem-estar a todos, com as partiularidades que cada grupo demanda e a correção das devidas distorções e injustiças históricas. Porém pense comigo, isso daria certo? Será que amanhã ao ver seu filho perder uma vaga na universidade para um 'cotista' de desempenho inferior no vestibular como nos exemplos que citei seria moralmente justo? E se fosse o contrário e seu filho fosse o beneficiado, será que não geraria no mínimo inveja por parte dos grupos do outro excluído pela cota? E se eu, paulistano me casasse com uma mineira ou uma baiana, o meu filho entraria em qual classe ou cota??? O grande problema de quem defende essa tese, é que ao dividirmos em grupos as pessoas, engessamos e desconsideramos a miscigenação, já que se parte do pressuposto que uma vez pertenente a um grupo, a pessoa é excluído de outros, exatamente como era antes...
Pois é, e para deixar isso mais claro vou parafrasear o grande libertário e defensor dos direitos civis nos EUA, na década de 1960, Martin Luther King Jr. (foto) que questionava:
"Não somos o que deveriamos ser, não somos o que desejamos ser, não somos o que iriamos ser, mas graças a Deus não somos o que eramos."
Precisamos voltar então a ser o que era antes pra que a humanidade tenha um futuro melhor? Ou como ele mesmo defendia a tese que somos apenas seres humanos perante o Criador, e que raça é apenas uma invenção do homem para querer diferenciar a sua ignorância, e jamais na história os grupos humanos separados se tornaram iguais, apenas continuariam desiguais. Algumas décadas depois, o primeiro presidente de origem afro-americana, Barak Obama, tomou posse como mandatário da Casa Branca, com uma política de defesa ampla dos direitos humanos para o conjunto total de cidadãos norte-americanos.
E eu, como paulistano, aprecio a beleza de todas as mulheres brasileiras, idependentemente de origem, principalmente pelas suas partiularidades regionais e culturais, ainda bem!
Saiba mais a respeito em outros textos deste blog aqui, aqui e aqui.
Livros:
COUTO, Mia - Cada homem é uma raça; ed. Nova Fronteira, 1998.
MAGNOLI, Demétrio - Uma gota de sangue: História do pensamento racial; ed. Contexto, 2009.
SERRANO, Carlos & WALDMAN, Maurício - Memória D´África: A temática africana em sala de aula; ed. Cortez, 2008.
Filmes:
Hurricane: O Furacão - EUA/1999; Dir. Norman Jewison; com Denzel Washington.
Os Deuses devem estar loucos - África do Sul/Botsuana, 1980. Dir: Jamie Uys
Memórias Póstumas - Brasil/2001; Dir. André Klotzel; com Reginaldo Faria e Marcos Caruso.
Eloá Pimentel, após a tragédia, exemplo de vida. (Foto de José Cordeiro/Ag. O Globo)
Reprodução:
Saiu hoje de manhã essa reportagem à respeito da doação de órgãos. E quem me conhece sabe que além de icentivador, também fui receptor de duas córneas que foram transplantadas em mim a partir da difícil decisão das famílias dos respectivos doadores, mas que hoje me permitem escrever este texto e reproduzir essa notícia abaixo:
Um ano depois, receptores de órgãos de Eloá dizem que 'começaram a viver'
Preconceito das famílias na hora de doar cai a patamar recorde em SP. Doações feitas por mãe de Eloá incentivaram população.
Thiago Reis, do G1 em São Paulo
Há um ano, após perder de modo trágico a filha Eloá, de apenas 15 anos, Ana Cristina Pimentel teve poucos minutos para tomar uma decisão até então inimaginável em sua vida: doar ou não os órgãos da garota. Eloá Pimentel havia acabado de ser mantida refém e depois assassinada pelo ex-namorado no ABC em um caso acompanhado por quase todo o Brasil. Apesar do abalo, Ana Cristina diz não ter hesitado. “Não tive dúvida. Quando os médicos vieram falar comigo, eu já estava decidida.” Assim como ela, outros parentes têm mostrado, a cada ano que passa, menos preconceito com relação à doação de órgãos. Dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) comprovam a mudança de mentalidade da população.
No primeiro semestre deste ano, apenas uma em cada sete das doações não efetivadas no estado de São Paulo teve como razão a recusa de um parente (índice de 14,4%). É a menor taxa dos últimos dez anos. E é em razão desse novo cenário que os receptores de órgãos da garota Eloá podem hoje comemorar um ano de vitórias após os transplantes.
Lívia Amodio Novais (foto), de 29 anos, ganhou a córnea de Eloá. Ela diz que teve problemas após a cirurgia, mas que agora já sente a melhora. Formada em direito, ela trabalha em um hospital porque ainda não conseguiu fazer o exame da OAB.
“Estou voltando a enxergar agora. Não conseguia ler e, por isso, não dava para estudar para a prova”, conta ela, que planeja se preparar e prestar um concurso público.
Lívia afirma que, mesmo antes de precisar de uma doação, já fazia campanha em casa e na rua. “Eu sempre fui a favor de doar e já convenci pessoas do mesmo, porque a gente nunca sabe o dia de amanhã. Tem que existir essa consciência.”
O mecânico Emerson Gentil Dardes, de 26 anos, esperou três anos por um transplante. O pâncreas e o rim de Eloá acabaram salvando sua vida. "Eu tinha de fazer três sessões de hemodiálise por semana, com horário marcado. Não podia beber muito líquido. Era muito ruim."
Quase um ano depois da cirurgia, ele diz que pode fazer "de tudo". "Dá para sair sem se preocupar com remédios. Marcar uma viagem e não precisar chegar na segunda às 11h para ir ao hospital. Hoje estou 100%."
Já Maria Augusta dos Anjos, de 39 anos, recebeu o coração da garota. E diz que agora pode realizar os sonhos. Ela já faz caminhada no Parque Trianon e exercícios físicos todos os dias. E espera poder andar de bicicleta em breve, o que nunca fez.
“Antes eu não conseguia fazer praticamente nada. Via meus 12 irmãos para lá e para cá e só eu tinha que ficar quietinha. Tentava esconder que era uma pessoa triste. Agora digo que sou muito feliz.”
Antes de receber o órgão, ela teve de se mudar do Pará para São Paulo. Foram dois anos e meio de espera até o chamado. “Como todo mundo nessa situação, ficava apreensiva, achando que podia surgir uma oportunidade a qualquer hora.”
Agora, conta, sente-se mais independente. “Antes eu não saía nunca sozinha porque desmaiava na rua. Estou aprendendo a me virar. Sinto que finalmente comecei a viver."
Para Ana Cristina Pimentel, mãe de Eloá, que mantém contato com Maria Augusta e até com o pai dela, que constantemente liga de longe, a felicidade daquela família a faz ter certeza do ato praticado. “É reconfortante.”
Para o médico Luiz Augusto Pereira, coordenador da Central de Transplantes de São Paulo, a repercussão de casos como o da garota Eloá e o treinamento de profissionais de saúde para entrevistar os familiares são os maiores responsáveis pelo ótimo indicador de baixa negativa familiar.
“O principal problema ainda é o diagnóstico de morte encefálica. Para os familiares, é de difícil compreensão que uma pessoa que ainda está com o coração batendo esteja morta. Para conversar com os parentes, a pessoa tem que estar muito preparada”, diz.
Segundo ele, em razão disso nos últimos anos foram feitos vários cursos em São Paulo, com simulações de entrevistas com parentes. “A gente ficava repassando o vídeo, apontava os erros e corrigia."
A melhora do índice é evidente: em 1999, mais de uma em cada em três doações (ou 37,9%) deixava de ser feita por causa da recusa das famílias, segundo estatística também referente ao primeiro semestre.
Para o cirurgião Ben-Hur Ferraz Neto, vice-presidente da ABTO, não houve uma mudança cultural, mas, sim, um maior esclarecimento à população. “O medo diminuiu na medida em que o programa de transplantes se mostrou eficaz e transparente”, afirma. Segundo o médico, que também é coordenador do programa de transplantes do hospital Albert Einstein, as pessoas sabem que os órgãos vão para “uma lista única, mediante critérios estabelecidos, sem qualquer influência política ou econômica”. Tanto Pereira quanto Ferraz Neto reforçam a importância de as pessoas conversarem em casa a respeito do tema, já que pesquisas mostram que a quase totalidade aceita doar um órgão, mas boa parte não revela essa intenção à família. Quando o desejo é manifesto, afirmam, a chance de a doação se concretizar é quase total. Neste domingo (27), é comemorado o Dia Nacional da Doação de Órgãos. Não há, no entanto, só motivos para celebrar. Apesar de São Paulo ter avançado no quesito “preconceito familiar”, parte do país não mostra a mesma evolução. No Piauí, por exemplo, a situação é crítica: quase metade das doações não é feita por causa do veto das famílias. Além disso, o número de pessoas que hoje aguardam um órgão no país é alarmente: são 60 mil.